Richard Abelha sofre racismo no Ordem Paranormal: reflexões sobre inclusão no RPG


Durante um dos episódios de
Ordem Paranormal - campanha Hexatombe, o influenciador e ator Richard Abelha sofreu ataques racistas no chat, por parte da comunidade. O que isso nos diz sobre RPG e inclusão?

O que é Ordem Paranormal


Ordem Paranormal RPG é um sistema e cenário desenvolvido por Celbit. Usando o d20, o sistema privilegia a narrativa e o impacto do medo. A mecânica principal do sistema baseia-se em testes contra Dificuldade (DT), com rolagens que simulam esforço e tensão.

O cenário é o nosso mundo que possui uma Membrana separa a Realidade do Outro Lado. Fragilizada pelo medo, entidades sobrenaturais podem interfir no nosso mundo. Geralmente, os PdJs fazem parte da Ordo Realitas, uma organização especial que é a última linha de defesa contra cultistas e criaturas sobrenaturais.


O ocorrido


Durante a atuação de Richard Abelha no papel de Dalmo Magno, o Colosso, o chat não perdoou. Uma enxurrada de ataques racistas na forma de comentários como: “negro não deveria jogar RPG”, “RPG é coisa de branco”, e “Negão carioca desses passando vergonha para se incluir em grupinho de branco.”

Espectadores que estavam no chat tentaram defender o Abelha, mas palavras jogadas ao vento (como diz o poeta Ricardo Aleixo) ganham asas e voam.


Racismo e a Falta de Inclusão


Racismo é crime. Cabe ao Abelha a a produção do Ordem Paranormal acionar a polícia, fazer a denúncia e deixar que as autoridades tomem as devidas providências. Entretanto, esse episódio nos leva a pensar no quanto as mesas de RPG são inclusivas e se os jogadores estão abertos a receber mulheres, negros, LGBTQia+ dentre outros grupos no hobbie.

Quem teve a oportunidade de ler Robin's Laws of Good Gamemastering escrito por Robin Laws sabe que existem vários tipos de jogadores em uma mesa. Cada jogador se envolve emocionalmente com o RPG de forma diferente. Outro livro que discute isso muito bem também é o Vampiro a Máscara (1ª edição). Tem jogadores que jogam pela rizada, outros querem algo épico, outros ainda estão na mesa pela amizade ou interesses mais profundos.


Independentemente porque os jogadores estão rolando dados em uma noite de sábado e contando histórias, todos trazem vieses e histórias de vida. Todos falam de um lugar apenas deles que é permeada pelas vivências, experiências e traumas. Mesmo que fosse possível, ninguém precisa despir de sua história de vida para jogar RPG.

Nas minhas mesas, havia um jogador que era capoeirista. Todas vezes que ele criava um personagem, ele queria colocar a perícia em seu personagem. Por que não? Ele se sentia mais familiarizado à vontade para jogar com alguém parecido com ele. Ele buscava identidade.

A verdadeira inclusão


Certa vez escutei que convidar um cadeirante para ir a uma festa não é inclusão. Inclusão é convidá-lo para dançar, para participar dessa festa. Esse é o espírito da verdadeira inclusão. Abelha ou qualquer outro não precisa se despir de sua identidade para jogar RPG. As mesas e a comunidade de RPG é que precisam ser mais inclusivas e menos intolerantes.

Como você enxerga a inclusão no RPG? Deixe seu comentário.

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